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9:22 h. Quinta feira, 20 de Xuño do 2013

Opinión

Xurxo Nóvoa Martíns

Xurxo Nóvoa Martíns

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A carvalheira já é de Sam Justo

O passado sábado 13 estivemos no auditório Mar de Vigo para render homenagem a um rapaz de Teis, a um soldador de versos e melodias, a um homem que sonhou junto aos seus companheiros de A Roda com devolver a música tradicional, as palavras feiticeiras e os sons que percutem no coraçom do oceano ao mesmo povo que as criara. Adolfo, tinas feitio de gato artista namorado, de Vigo working class, de poeta indignado ou dandy suburbano e marinheiro, druida desta mátria que construímos cada dia coa ajuda da vossa banda sonora.

Álvaro Cunqueiro falava da Roda no Faro de Vigo no começo da chamada Transição e tratava de nos convencer de que a carvalheira dum conhecido tema popular nom era de Vigo, e si de Sam Justo... num dos vossos últimos discos, A RodA AlalÁ AdoRA destes gosto ao nosso senhor Merlim e e fechastes a única e divertida polémica da vossa querida andaina.

Dizem que Milladoiro é comparado cos míticos Cheftains irlandeses polo seu virtuosismo e por actualizar a música de raiz. A Roda seriam os nossos Dubliners polo seu espírito dionisíaco e por ressuscitar a palavra viva, a palavra cantada, porque como dizia o mestre e compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos: “Um povo que sabe cantar está a um passo da felicidade; é preciso ensinar o mundo inteiro a cantar”.

A voz de Fito tem o azul da alma das queimadas, ecoa como o alalá das âncoras, como sinos laicos na bóveda das rias, no adro dos nossos vales e florestas, como vento mágico que nos transporta, quase sen pisar o chão, às tabernas onde cantar ainda em comunidade co abraço morno e cúmplice do vinho e da amizade. Tabernáculos, lugares onde se honra ao deus Lug, aquele que dá nome a mais antiga das nossas cidades, Lugo, que se representa sentado num disco de ouro maciço sobre unha cunca de prata, que ainda hoje aparece no escudo do nosso país, e evoca o caldeiro onde guardava o seu saber. Também o teu, mestre. Venha mais um neto à tua saúde!

Seica foi assim, todo nasceu na Tasca da Viúva no ano 1977, a roda começou a girar... a tua presença perdurará sempre nos nossos olhos e nos nossos ouvidos como a dum orixá galego, deus com poderes de transmitir a alegria, como um xamám que é lôstrego no meio da tormenta, virtuoso das melodias que arrecendem a festa na rua, a mimos ainda sen privatizar.

A tua lembrança salga-nos sen juros, ajuda-nos a apanhar a chorima sem pranto, enche a noite co cheiro intacto da rapa das bestas. Os teus olhos têm a cor dos velhos caminhos polos que continuaremos a cavalgar como ginetes no trevom, riders on the storm.

No fiadeiro do tempo bailas com Filo da mão na praia da Ponta e ainda que ao ver-vos marchar umha medusa ocupou o oco dos nossos peitos, sempre que entoamos as canções que figeches eternas, a lua brilha como flor intensa por riba das ilhas Cies, desde onde nos observas e sorris. Na mesa redonda da Roda falta o seu melhor cavalheiro. Graças por acender chucha-meles nas nossas almas.

Outras voces
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